Crônica: Vai comer o que?

O que é mais surpreendente no ser humano é a capacidade que ele tem se adaptar. Seja em qualquer situação de sua vida, ele consegue encontrar um novo caminho e ir em frente. Alguns de nós precisamos voltar para entender o que perdemos, e para saber aonde ir depois disso. Não é fácil “voltar no tempo”. Muitos olham para nós com certa desconfiança, como se estivéssemos fazendo algo errado e pouco aceitável. Mas, o que é a vida se não um grande banquete, onde a cada momento, experimentamos algo novo? Começamos com um paladar infantil, onde os sabores favoritos são defendidos com unhas e dentes, e qualquer coisa que não seja doce e macia logo nos causa desconfiança. Na adolescência, preferimos os fast-food, mas de vez em quando, somos obrigados a nos confrontar com algo “mais adulto”, para que possamos nos acostumar aos poucos.  Na juventude, nosso paladar fica mais apurado, mas de tempos em tempos, não nos privamos de saborear aquele “hambúrguer’ que tanto gostamos. Na idade adulta, nossos gostos estão bem demarcados, mas não vemos mais com tanta estranheza sabores novos. Na verdade, até esperamos que eles apareçam, para que nossos dias ganhem um sabor diferente, por assim dizer. Essa talvez seja a ordem natural dos fatos. Mas nem sempre seguimos esse “roteiro gastronômico”. Alguns de nós fomos privados de saborear na adolescência um belo e saboroso fast-food, e na idade adulta,  já estabelecidos e bem resolvidos, somos  confrontados com essa necessidade, que parece quase vital. Algum problema nisso? Para mim, nenhum. Mas acho que de modo geral, as pessoas não conseguem entender o porquê dessa “alimentação tão fora de propósito”. Que mal tem comer esse lanche tão estranho, se ao longo dos dias, todas as outras refeições  estão sendo bem consumidas? O que me preocupa são os excessos. Se dias, meses e anos se passarem, e deixarmos de sentir o sabor das outras refeições, sentido somente o gosto do fast-food, ele vai deixar de ser saboroso, e vai se tornar algo intragável. Nem bem digerido ele vai ser. Aqueles que te servem esse lanche também se tornarão pouco agradáveis, já que eles não podem acrescentar nada novo, já que esse lanche vem de uma franquia, onde as novidades são poucas e controladas. Muda-se a embalagem, mas o lanche é o mesmo. Calórico e pouco nutritivo. Deixar de consumi-lo é algo impossível. E quem quer fazer isso? Pensem como é bacana sair com os amigos, bater aquele papo gostoso e divertido, comendo esse lanche. Mas deixar de “comer” outras coisas, e se deixar  consumir por esse lanche... Aí acho uma escolha ruim. Porque vai chegar um dia, que esse lanche não será mais tão agradável quanto foi outrora. E aí, para se acostumar com outros  alimentos, será uma luta, porque você não lembra que eles podem ser tão ou mais gostosos que o seu “lanche rápido”. Na verdade, você só vê os defeitos e as imperfeições, não só das “iguarias”, mas daqueles que as servem também, que ficam parados e preocupados, sem saber se te deixam em paz, vendo você mergulhar nessa “lanchonete passageira”, ou se te oferecem “outras refeições”,  mesmo sendo mal-interpretados por isso. Existem inúmeras maneiras de dar um toque nos nossos amigos que estão se resfatelando com os “lanches rápidos”, mas ainda não sei dizer qual é a correta, que não vai magoá-lo nem deixá-lo com o “pé atrás”. O que nos resta é esperar. Esperar e torcer, para que esses amigos percebam que o mundo está cheio de gostos e quitutes, só esperando para serem consumidos.  Não todos os dias, mas no momento certo. Porque uma vida, quer dizer, uma alimentação equilibrada, é tudo que precisamos para sermos realmente felizes.  
Ser diferente tem seu preço... Mas o importante é não deixar o sorriso ir embora...

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