Quem pediu a opinião do blogueiro?

Sabe aquelas coisas que acontecem com você e por um instante vem um pensamento (sabe lá de onde) que toca bem fundo, e a gente pensa: "Cara, só comigo que isso acontece"?Ultimamente, tenho sido vitimada por esse pensamento deveras profundo. As vezes acho que deveria desistir do blog e seguir como leitora anônima e seguidora dos meus blogs favoritos, escondida no limbo da minha biblioteca virtual e da confusão dos livros jogados no meu quarto. Mas o problema em abandonar o blog significaria para mim uma derrota, pois teria que admitir que a opinião de determinadas pessoas me atinge e me enfraquecem, e isso eu não faço nem por um decreto. 

Eu sempre procuro me inteirar sobre o que os autores  tem lançado por aí. Acho importante que os blogs brasileiros prestigiem os nossos escritores, já que, diante de tantos livros bons que tive o prazer de ler no último ano, posso afirmar com certeza  que muita coisa foi de autores brasucas. Quando leio uma sinopse e acho a proposta bacana, peço humildemente uma parceria, acreditando que o autor busque nessa "relação" a verdade, acima de qualquer outra coisa. Até  então, todos os autores aos quais tive o prazer de fechar uma parceria, sempre aceitaram de bom grado a minha opinião, seja ela positiva ou não. A opinião expressa nesse "blog de merlin" é minha, e de mais ninguém (quer dizer, tem a Andreia e a Lucy, mas o ocorrido foi com a louca aqui, então, vamos aos fatos e deixemos as churumelas de lado).


Primeiro, não houve qualquer tipo de comentário da autora do livro que causou a peleja na qual me envolvi, então, como os aspectos que vou mencionar serão bem gerais, resguardarei o nome da autora, e de seu livro também, visto que, ao postar a resenha no skoob primeiro, tive que segurar sozinha um tremendo ataque.


Recebi "o livro" dessa autora (super simpática e atenciosa por sinal) e como tinha outros livros de parceria para ler, acabei o deixando em stand by, para ler assim que desafogasse minhas leituras atrasadas. Comecei a ler num domingo, quando meus planos de aula e provas por fazer me deixaram livre por alguns instantes. O início foi decepcionante. A sinopse era muito atraente, mas o livro me pareceu uma estória escrita por um dos meus alunos do 8° ano (não que eles escrevam mal, mas percebe-se a imaturidade e a insegurança, próprios dos escritores iniciantes e muito jovens - que acredito ser o caso dessa escritora). A trama foi sendo descortinada, e continuei não gostando. Os personagens poderiam ser fascinantes, mas não achei que a autora conseguiu nos fazer gostar deles a ponto de torcer para um "final feliz", por assim dizer. Além disso, a escritora da obra entrou numa questão um pouco polêmica (pelo menos para mim), que envolvia uma questão história, mais precisamente um conceito. Na História, determinados tipos de conceitos só podem ser adotados em um período em específico. Ainda mais quando a própria expressão nos remete aquele momento histórico. Se você não deixa isso bem claro (ou se você não sabe), acaba "engolindo", e é levado ao que eu chamo de "erro" (mas que alguns historiadores chamam de teoria). O que me incomodou foi o uso DESSE CONCEITO 300 anos depois dele ter sido usado pela primeira vez, sem ter o contexto necessário para isso.  Sei que o assunto fica obscuro quando não exemplificado, mas o mais importante do "causo" ainda está por vir.


Fiz a resenha e a coloquei no Skoob (como sempre faço quando acabou uma leitura). Não se passaram dois minutos, e recebi uma enxurrada de críticas em relação a minha resenha, me mando vários links de artigos e reportagens (a maioria, bem questionáveis) para que eu lesse e mudasse minha opinião. Todos os artigos tinham como intuito fazer cair por terra a interpretação que eu tinha dado para a problemática do CONCEITO. Recebi mensagens no meu mural de três pessoas diferentes (pessoas essas  sem rosto e sem um histórico no Skoob) me mandando mensagens insistentes, pedindo que eu me retratasse em relação ao assunto. Nesse momento, percebi que eu tinha cometido um erro ao entrar numa questão que não era literária. Me retratei, mesmo não mudando minha opinião, mas mantive as minhas impressões iniciais sobre o livro: boa sinopse, trama fraca, personagens ricos mas perdidos num universo confuso e monótono que a autora criou. Do nada, todas as resenhas que tenho no skoob passaram a ser marcadas como ruins. Não que eu seja boa resenhista (porque não não sou), mas achei no mínimo suspeito que, depois dessa discussão toda, viesse o silêncio dos meus oponentes, e as sinalizações negativas das minhas humildes resenhas. Sinceramente, não sei de onde vieram tantas críticas a resenha do famigerado livro. Não foi só uma pessoa que me enviou inúmeros artigos sobre o tema (me chamando de burra e o escambau, por ter levantado uma questão que, para eles, era mais do que correta). Mas fico pensando se algumas pessoas estão realmente prontas para ouvir (no caso, ler) uma crítica negativa em relação a sua obra. Acho que os escritores iniciantes deveriam propor aos blogs com um número significativo de seguidores, que façam um book tour com seus livros. Se o livro gerar só críticas, desconfie. Se gerar só elogios, desconfie mais ainda. Bons escritores tiveram críticos ferozes de suas obras, muitas vezes os deixando com vontade de desistir. Mas foi a insistência do próprio escritor e de seus críticos diretos que fizeram com que seu trabalho evoluísse e virasse um sucesso.


O trabalho feito pelos blogs é uma revisão gratuita para os autores brasileiros, que lutam diariamente para ter o seu trabalho reconhecido. O que o blog ganha isso? A satisfação de apresentar uma obra nova para os seguidores;  a chance de interagir e reinterpretar uma obra  de acordo com sua própria vivência; a oportunidade de se fazer conhecer através da literatura para outras pessoas... Os ganhos são inúmeros, mas nunca financeiros. Nenhum escritor ou fã do escritor deve acreditar que uma crítica negativa é uma forma de "sacanear" (desculpem o termo chulo) o trabalho de um escritor iniciante. As críticas servem para apurar o trabalho do autor, que quer ver o seu livro vendido. Ou não? Me digam o nome de um autor que não quer vender sua obra? Que quer vê-la virar um Bestseller de arrebentar a boca do balão?


No meu caso, sou eu que peço as parcerias com os autores brasileiros. Mas sei que os blogs maiores recebem propostas diárias de parcerias, tendo que negar algumas delas. É aí que se percebe o tanto que esses blogueiros sérios e comprometidos fazem a diferença no nosso mercado editorial, que tem lançado vários escritores brasileiros, mas só alguns tem realmente uma qualidade comprovada para se manter vivo. 


Como sou teimosa feito uma mula, não desisti do blog. Nem de tentar várias parcerias por esse mundo chamado INTERNET. Quanto as resenhas... Terei um cuidado maior agora. Ao invés de fazer análises históricas e historiográficas, manterei minhas impressões no campo literário, unicamente. Se elas serão boas ou ruins, cabe ao livro me dizer. Ou tentar, pelo menos...


Elimar


11 comentários:

  1. Olá!

    Nossa, q tenso, hein! Eu sou solidária a vc. Infelizmente as pessoas não sabem lidar com as críticas. Normalmente as minhas resenhas destacam os pontos negativos e positivos da obra. Não vou mentir para os leitores e acho q essa não é a minha função. Eu aponto os defeitinhos até das obras de amigos e considero isso mto melhor q fingir q está perfeito qdo não está.

    Já li excelentes livros através de parcerias. Sinceramente, eu gosto mto de apoiar a literatura nacional, mas ultimamente eu tenho recusado bastante parcerias. Não tenho paciência para autores q exigem q a resenha seja positiva.

    Boa sorte e não desista por isso.
    BjoO
    Pri
    Entre Fatos e Livros

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  2. O que dizer de uma situação como essa?Só lamentar!
    Que esse episódio,não tire de voce a energia tão conhecida em apoiar os autores nacionais,e em apoiar a boa leitura em geral,e principalmente de manter esse espaço tão democrático de análises,sim com suas impressões,opiniões que devem ser respeitadas. Siga em frente e continue seu belo trabalho!!
    Boa sorte!Bjos!

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  3. Elimar,

    Não deixe um episódio como este te abalar, infelizmente tem muita gente que não sabe lidar com críticas e acabam perdendo a linha. Você já está com o blog faz tempo alegrando a vida de leitoras atrás de livros bons. Força aí e continua com suas resenhas que adoramos bjs

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  4. Opinião é igual a b----, cada um tem a sua e você é livre para se expressar, afinal vivemos em uma democracia, acho eu...

    A partir do momento que isso não se faz possível alguma coisa está muito errada...

    Não se abale por isso, tudo passa, os escritores, o skoob, quem toma essas atitudes também.

    Se o autor(a) em questão não conseguir atingir um nível onde seus livros sejam bem aceitos, não irá muito longe, mas sempre vai ter os que gostam ou não.

    Bola para frente, não vai faltar sobre o que fazer resenhas, e o melhor lugar para postá-las é aqui.
    Quem perde são eles...

    Bjos

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  5. Complicado hein? Mas bola pra frente, essa conduta só prova que a pessoa em questão não tem maturidade suficiente para se aventurar em um mercado que mexe diretamente com o gosto das pessoas, mesmo que o livro fosse bom, você tem todo o direito de não gostar e de expressar isso.

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  6. Chatíssima esta história, e ficou aquele clima meio vingativo no ar, muito chato. Mas bola pra frente, sempre quando leio uma resenha imagino que a pessoa esteja dizendo o que realmente achou, mas sei que tem gente que camufla as coisas. Sem necessidade afinal um livro bom pra mim, não necessariamente será legal para você. Bjs, Rose.

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  7. Ah, isso deve ter sido muito chato. mas por causa disso você ficou tentada a desistir do blog? por causa de pessoas que nao sabem lidar com críticas? trolls assim não merecem atenção. você fez o que era certo, continue assim.

    beijos, Lizzie

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  8. Olá!

    Tirou palavras da minha boca. Passei por uma situação semelhante e é impressionante como algumas pessoas, no meu caso fãs da escritora, não aceitam críticas negativas. Todo mundo que se dispõe a fazer um trabalho público, como um livro ou um blog, tem o direito de expressar suas opiniões e, ao mesmo tempo, ouvir/ler a dos outros. Infelizmente algumas pessoas detonam sem nem ao menos se identificar. É fácil se esconder atrás de perfis anônimos.


    Ótimo texto.

    http://janinestecanella.blogspot.com/

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  9. Elimar, deixa eu te contar umas coisas. Primeiro você não é a única a sofrer esse tipo de ataque,segundo, o que acontece é a política do puxa-saquismo. Muitos acham que ter amizades com escritores vai fazê-los parecer mais importantes, outros acham que se tiverem amizades com blogueiros terão seus livros sempre elogiados. Certa vez, li um livro horroroso e recebi o seguinte conselho: "Minta na resenha e minta muito, essa pessoa é queridinha no meio e você vai se queimar se falar o que pensa" , nessas horas eu também penso em desistir.
    Em certos momentos eu penso se as pessoas realmente leem os livros, ou se elas realmente entendem o que leem ou se apesar de fazerem tudo isso preferem afagar o ego de alguém.
    Também tem aqueles que são tão xiitas que se você dizer que não gosta e dar seus argumentos, eles preferem atacar a sua pessoa do que contra-argumentar. Isso acontece com vc e com muitos outros que decidem pela verdade ao invés de puxar o saco, não desista, eu não desisti.

    Milhões de beijos
    Sam

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  10. Olá!

    Muito interessante esse post (fiquei curiosa de qual livro estava falando e desse CONCEITO), eu tenho um blog pequeno, não procuro parcerias com autores. Criei o blog para "conversar sobre livros" mais ou menos.

    Acredito que se você achou a escrita imatura, a autora também seria. Acho que isso acontece mesmo. Eu sei que se escrevesse um livro e alguém lesse e fizesse uma crítica negativa, mas que poderia me ajudar a melhorar o enredo, eu ficaria um pouco desanimada mas iria me esforçar para melhorar. Afinal, é para isso que serve a crítica.

    Mas não desanima não com isso. Acho que poderia conversar com a autora quando achar o livro dela "não muito bom" se ela levar para o lado pessoal, paciência. Aliás, é necessária muita maturidade para saber escutar uma crítica negativa e considerar uma oportunidade de melhorar.

    Que bom que vai continuar no blog!

    Bjoos

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  11. Olá, Elimar
    Espero que vc. supere este episódio e leve isso como "suporte construtivo" para continuar fazendo seu belíssimo trabalho que é divulgar os livros e autores nacionais, bem como informar aos nossos leitores a verdade por mais que seja negativa aos olhos do escritor. É importante deixar claro que os blogueiros literários são fontes importantes de divulgação e formadoras de opinião, por isso devem receber respeito. Fico um pouco triste porque percebo que em alguns blogs (a minoria, graças a Deus!) que há "favoritismo e o puxa-saquismo" com escritores "queridinhos" pelas editoras famosas, isso inclui autores internacionais e nacionais. Isso acontece, imagino eu, porque que eles têm de alguma forma,seja no poder financeiro ou na mídia, algumas vantagens sobre os outros escritores menos favorecidos. Após ler seu excelente "desabafo" tive a certeza que existem pessoas verdadeiras e com interesse de divulgar e ajudar os escritores. Sendo assim sua resenha passa a ser uma crítica construtiva e o escritor que não leva isso em consideração deve estar se prevalecendo daquilo que falei acima, ok?
    Eu sou uma escritora iniciante e agradeço muito os blogs que divulgam meu livro,senão fosse por eles, meu livro não seria divulgado de forma pública e principalmente dinâmica.
    Infelizmente ainda há muita falta de credibilidade por parte das editoras aos escritores nacionais, que em muitos casos estão se preocupando com o retorno financeiro imediato, e não querem arriscar. Eu, Márcia, não posso desistir de meu ideal, por isso continuarei nessa luta e peço a você que também, não! SUA OPINIÃO É MUITO IMPORTANTE PARA NÓS!
    Beijinhos..tornei-me sua fã.
    Márcia A. Canivello

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Faço parte das...

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