[Resenha] Paula: Isabel Allende (Editora Record)


Paula, de Isabel Allende não se trata apenas de um drama, em algumas partes do livro é possível observar um ar de comédia, tem algo de sobrenatural e um documentário maravilhosos sobre uma época, um país, um livro para nos fazer rir, chorar e se encantar pela vida magnífica desta pequena grande escritora, o fato dela colocar em um livro não muito extenso praticamente toda sua história e de sua família com todo aqueles seres esquisitos e esplendidos ao mesmo tempo, em alguns momentos durante a leitura deste livro podemos nos achar participando das histórias contadas. Para contar todo o seu drama e sofrimento no leito de sua filha devido a uma doença a levou a um estado de coma profundo, ela começou a escrever este livro " Paula ", para que quando Paula acordasse deste coma, pudesse relembrar através destas páginas toda a história de sua família desde o ínicio com todos os detalhes, apartir de quando seus parentes mais antigos chegaram ao chile, para dar ínicio a saga de uma família de grandes personalidades como o seu Tio Salvador Allende que foi derrubado do poder por um golpe liderado por Augusto Pinochet, foi quando Isabel e sua família, foram exilados em outro país. 


Comentários:

Várias foram as oportunidade que tive para ler alguma coisa escrita por Isabel Allende, mas sempre  declinei dessa chance. Puro  preconceito da minha parte. Não sei porque, mas nunca me senti atraída pelo trabalho de Allende. Nessas feiras itinerantes aqui do Rio, é super fácil achar seus livros, por preços até bem em conta, mas nem isso me fazia querer lê-la.   Em uma única ocasião, acabei comprando "De amor e de sombra" de sua autoria, isso porque para levar os dois livros que eu queria, tinha que complementar com mais um para ter um desconto aceitável para a minha miserabilidade econômica.  Foi aí que resolvi "dar uma chance" para Allende. Quer dizer, não dei chance nenhuma porque acabei nem lendo esse livro. No Clube de Leitura que faço parte, uma das  meninas, Ana Maria,  minha colega de profissão, (ela é Historiadora também) acabou indicando "Paula". Foi aí que pensei "agora não dá mais para fugir... Vou ter que ler Isabel Allende". Relutei a começar. 

Pela  sinopse, achei a estória/História* super triste, e meu coração andava muito suscetível a tramas melancólicas. Quando finalmente li a primeira página, era como se Allende me conduzisse para um outro plano, me colocando exatamente no lugar que ela queria que eu ficasse. E eu não me senti desconfortável com isso.  Ao contrário. Esperei com muita ansiedade Allende me chamar para dentro de sua vida e de sua História, emocionando-me com suas pequenas e grandes tragédias, mas me fazendo rir delas também.  

Para quem conhece Isabel Allende como romancista, não vai se decepcionar com esse livro de memórias mais do que revelador. Contando um pouco da curta trajetória de vida de sua filha Paula, vítima aos 28 anos de porfiria, uma doença genética, herdada pela família do pai, Isabel acaba por contar sua própria trajetória, como também a de seus familiares, desde antes de seu nascimento, passando pelo início de sua carreira como jornalista, até o golpe militar no Chile, que acabou ceifando a vida de Salvador Allende (seu primo) e colocou Augusto Pinochet no poder por um longo tempo. 
O relato dessa mãe emociona e faz rir, o que não torna o livro piegas e triste. Ao contrário. Como a própria Isabel relata, o livro é uma celebração da vida. Essa vida curta mas significativa que Paula teve, sendo amada pelos pais, pelos avós, e pelo marido, um homem que aguentou a mais penosa das provações, cultivando esse amor até o fim da vida de sua esposa. 


Allende é uma contadora de estórias habilidosa, que te leva para dentro de sua narrativa, te envolvendo a cada linha que escreve. Ao contar seus sofrimentos da infância e da juventude, Isabel Allende minimiza tudo (ao meu ver), já que o maior sofrimento que ela poderia imaginar, ela passa durante meses dentro de um hospital na Espanha, com a filha doente, definhando até cair num coma que a mantém num estado vegetativo. Não existe "um final feliz" para esse livro. Não no sentido de que "todos viverem felizes para sempre". Mas mesmo diante da realidade nua e crua que nos é trazida por Allende, o que temos a chance de apreciar é uma obra rica e todos os sentidos: narrativa, tradução, diagramação, capa. A impressão que tive é que tudo foi feito com a delicadeza que a estória de Allende pede. Ao falar da doença de sua filha, Allende não tenta nos arrancar piedade. O que ela consegue é despertar sentimentos devera contraditórios: ora pena pela situação de sua filha, ora raiva pelas ações cometidas no passado (como se realmente tivéssemos esse direito).



Desde a leitura de "Paula", senti que estava devendo uma resenha descente para o blog. É o tipo de livro que qualquer um pode ler. Adolescentes, jovens e velhos perceberão o  quanto a vida é efemera e valiosa. E como passamos tempo demais nos preocupando com o que é menor, esquecendo na maioria das vezes o que é verdadeiramente importante: Família, amizade e amor! Valores que para alguns estão ultrapassados, mas são os únicos capazes de fazer uma mudança real e efetiva na vida de alguém. 


Para finalizar, deixo aqui uma citação que mecheu muito comigo. Demonstra que nascer e morrer são momentos tão parecidos que o que se passa entre eles é tão rápido e momentâneo que nem percebemos o tamanho de sua importância:


"Silêncio antes de nascer, silêncio depois da morte, a vida é puro ruído entre dois silêncios insondáveis". 
Isabel Allende

3 comentários:

  1. Só a resenha já conseguiu me emocionar. É meio vergonhoso isso que irei dizer, mas para ser sincera, nunca ouvi falar desta autora. Mas muito obrigada por me apresentá-la! Sei que ficarei apaixonada também pela sua narrativa.
    Fiquei muito interessada no livro (principalmente porque eu adoro histórias reais) ^^

    Abraços,
    http://leitorasanonimas.com

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  2. Adorei a dica! A frase sobre o silêncio me emocionou!

    Ana Carolina
    http://palavrasonhada.blogspot.com/

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  3. Oi Isabel!
    Adorei a resenha, achei o livro muito bom!

    Beijos, Kamila
    http://vicio-de-leitura.blogspot.com/

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