[Crônica] Eu lembrei...

Hoje eu lembrei do meu pai. Tá, dia dos pais já passou e eu nem falei nada aqui no blog, porque não tinha nada para falar mesmo. Quando ele era vivo não gostava dessas paradas e criou a gente da mesma maneira, não valorizando datas comemorativas, nem mesmo aniversário. Ele não se incomodava que a gente fizesse um bolinho e chamasse as amiguinhas, mas nunca deu presente pra gente nesse dia. Seus presentes sempre vinham depois de alguma conquista pessoal, ou de alguma necessidade nossa. E para ele, nunca era presente, era merecimento. Lembrei dele quando vi minha irmã amarrar o tênis da filha. Meu pai nos ensinou a amarrar o sapato fazendo dois lacinhos, e depois disso, nunca aprendi de outra forma. Nem adianta tentar me ensinar. Ele era um homem de poucas palavras, com gostos muito simples e muita determinação. Nunca nos deixou ver seus problemas, nem mesmo os de saúde, e foi exatamente um desses problemas que o tirou de nós. Depois do episódio do cadarço, fique aqui lembrando como ele foi o responsável por me fazer amar ler. Foi ele que comprou meus primeiros livros e me incentivou. Foi graças a ele que virei essa apaixonada transloucada por literatura, que deixa de ir a festas e eventos porque precisa terminar de ler um livro. Nem todo mundo me entende, mas ele entendia. Entendia e aceitava! Esse tipo de aceitação eu nunca mais encontrei. Nem mesmo da minha mãe, que é minha amiga, companheira e conselheira!
Meu pai não era perfeito, e nem procurava ser. Construir um relacionamento com ele era como começar a obra de uma ponte: primeiro se olha a condição do terreno, depois se analisa o material, fazendo tudo com muito cuidado, para não danificar a estrutura, que é a parte mais importante. Meu pai era assim: uma ponte forte e sólida, onde percorríamos o nosso caminho sem medo, porque sabíamos que ele iria aguentar. Quando ele se foi, muitas coisas mudaram! Não tem mais almoço especial de terça-feira (ele não queria que fosse só no domingo), não tem mais idas escondidas ao Bar do Esquerda (eu ia com ele...), nem chocolate de guarda-chuva. Parte de mim foi embora naquele dia, e outra nasceu. Nem sempre é fácil lidar com a falta que ele faz, mas a gente tem tentado. Todos os dias é uma batalha. As vezes penso na minha vida hoje e me pergunto se seria assim se ele estivesse vivo. Talvez sim, talvez não... Não dá para responder! O que eu sei com certeza, que nunca nada nem ninguém vai conseguir ocupar o lugar que ele tinha na minha vida. 

Pai, vamos no "Esquerda"?

Elimar

9 comentários:

  1. Lindo ali Eli, gostaria de ter construido um relacionamento desse tipo com meu pai. Ele ainda é vivo, mas sempre foi uma pessoa difícil que nunca soube expressar seus sentimentos pelos filhos, mas tudo bem. Agora mesmo com minha formatura ele não sabia o que dizer pra mim , me ligou e ficou alguns minutos em silêncio ao telefone e no final disse Parabéns filha, parabéns, tudo de bom é isso tudo, tudo mesmo". Eu fiquei feliz assim mesmo, ele é dificil , tem muitas atitudes bizarras na maioria da vezes ,porém é meu pai. Parabéns pela crônica, vejo que você adora escrever esse gênero. =)

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  2. Nossa Elimar! Você conseguiu me emocionar... Talvez, porque meu pai nunca foi assim... Era ausente, irrascível, de muito ou quase nenhuma conversa, e etc...
    Adorei seu post e acho que você tem o maior jeito para escrever estes textos... Amei. Bjus
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  3. Oi Eli!
    Que linda homenagem! Seu pai ficará muito feliz! Meu pai sempre foi ausente...
    Beijos
    Amanda
    leiturahot.blogspot.com

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  4. Nossa que emocionante ^^
    Que linda relação que vcs tinham com ele... muito legal ler este testemunho ^^

    beijo
    http://dailyofbooks.blogspot.com.br

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  5. Linda homenagem... fiquei emocionada!!!

    Estou longe do meu pai e nunca paro para pensar na falta dele,seu post me fez parar para pensar,no que é realmente importante!!!!

    Adorei!!

    bjsss

    Bianca

    www.apaixonadasporlivros.com.br

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  6. Oi Elimar!
    Ah!! Vi seu recadinho no meu blog! Super obrigada e vou querer os marcadores repetidos sim!! RSRSRS
    Adorei o blog!! MUITO fofo!! s2

    Bjs
    http://eternamente-princesa.blogspot.com.br/

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  7. Dificilmente leio posts grandes até o final, mas esse eu li e me emocionei, de verdade, ontem fez um ano que perdi minha tia, uma pessoa muito especial na minha vida e estava passando exatamente por isso ontem, essas perguntas, essa saudade que não acabar, a sensação de perda que dá e não passa, mas Deus nos conforta e graças a ele temos pessoas que nos ajudam a superar as perdas da vida. Fica bem, apesar da saudade, ele tá cuidando de você lá de cima e admirando o seu sucesso tanto na vida como no blog, rs.
    Almoce nas terças um almoço especial e sinta a presença dele invadindo seu coração, como o da minha tia invade o meu!
    Seja feliz, beeijo!
    Adorei o blog e to seguindo!

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  8. Ai Eli.. sua cronica me emocionou muito... e, sinceramente, nem sei o que te falar depois de um relato tao sincero e emocionante assim.

    Acho que uma falta como essa nunca é preenchida mesmo, mas ainda bem que temos nossos amigos e outros familiares que nos ajudam a superar, ou pelo menos, minimizar isto.

    Beeijocas

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