Contágio - Robin Cook

Voltei gente, até que comecei o ano com mais vergonha na cara e produzindo. Obrigada pelos comentários no último post que larguei a alma aqui. Mas o livro merecia. Hoje, vamos voltar aos suspenses médicos.

Capa da última edição lançada aqui.
Contágio - Robin Cook
490 páginas
Editoras: Record e BestBolso
Lançamentos no Brasil: 1998 - 2008

Contágio foi lançado em 1995 nos EUA, mas acredite, livro bom não fica velho. 

Eu achei a sinopse desse livro um horror, primeiro que ela já vem contando uma coisa que se você não prestar atenção, só vai se ligar quando for citado. E já te dá pistas da última teoria do Jack antes de ele sequer chegar lá (porque ele tem outras antes). Como assim?! Em protesto, mutilei:

O surgimento de uma epidemia na cidade de Nova York leva um médico a investigar os planos de saúde dos Estados Unidos. Este é o argumento de Contágio , thriller médico de Robin Cook que conta a história de Jack Stapleton, oftalmologista de uma cidade pequena que tem o seu consultório arruinado por um grande conglomerado do ramo de saúde, a AmeriCare. Ameaçados pelas descobertas de Stapleton, as autoridades da cidade e os executivos da AmeriCare fazem de tudo para que ele se afaste das investigações. Mas o médico insiste e acaba se envolvendo com gangues do Harlem e do sul de Manhattan, com a polícia e com Terese Hagen, uma publicitária viciada em trabalho, que vai ajudá-lo a desvendar a trama.

Resenha 

Hoje vou falar da realeza. Robin Cook é conhecido como O criador do gênero thriller médico. Ele é formado em medicina pela Universidade de Columbia e pós-graduado em Harvard. Seus livros já foram transformados em filmes e séries. Seus primeiro livro, Coma, foi lançado há 35 anos e o cara continua aí, literalmente zoando com seus bons livros.

Pra quem já leu alguma das minhas resenhas por aqui, deve ter dado pra notar que sou fã de carteirinha da Tess Gerritsen. E faz tempo que estou curiosa com algo que vejo nos livros dela como uma propaganda: “versão feminina de Robin Cook”. Eu sei quem é Robin Cook, mas nunca tinha lido nada dele. To até me sentindo um pouco ET depois disso. E olha que o cara está por aí lançando livros bem antes de eu nascer.

Daí que caiu em minhas mãos o livro Contágio. E falei, ah, é agora que te pego, Cook!

E passei uns dias super felizes com um livro muito bom nas mãos. Adoro um bom suspense e venho descobrindo um gosto especial pelos suspenses médicos.

O livro é daqueles que já nas primeiras páginas você pensa “Ah, droga. To ferrado, vou roer as unhas.”. Tenho uma séria desconfiança desses livros que vem com data e hora em cima dos parágrafos, separando milimetricamente cada acontecimento. E você sabe que mais a frente, lembrar-se desses detalhes pode ser a chave para descobrir o mistério. Eu sei lá qual era a intenção do Cook, mas fiquei voltando nas datas e horários e serviu pra acompanhar o desenvolvimento lógico e cronológico da história. E isso faz diferença. Especialmente quando você tem que se surpreender com a rapidez que uma gripe vai avançando estágios e se torna letal.

E então prendeu a respiração enquanto um pequeno arquejo saía de sua boca. Mesmo achando que estava preparado, a imagem no facho da lanterna era mais abominável do que esperava. Encarava-o a fisionomia de um caucasiano congelado, barbudo, vestido com peles. Estava sentado ereto. Tinha os olhos abertos, de um azul gélido, fixos em Dick de modo desafiador. Ao redor da boca e do nariz havia uma espuma congelada, cor-de-rosa.

E com gripe eu to sendo legal. É um festival completo, com peste, tularemia, febre das montanhas, só coisa bonita. Sei que é tudo virulento e horrendo. O interessante é que o autor foca a base da história na dominação dos planos de saúde sobre o sistema americano (o livro é do meio dos anos 90, isso ainda estava se instalando na época), a exploração do serviço sem preocupação com médicos e pacientes e especialmente com o bom atendimento.

Então, acompanhamos uns pedaços de vida de certas pessoas no começo do livro, vamos parar até no Alasca. E depois os anos passam, continuamos muito bem guiados pelas datas e horários no início de cada seção. E fazer a conexão não é tão fácil assim. Uma delas eu só saquei quando o personagem falou, outra tive que chegar quase até o final pra fechar o raciocínio. Esse gente trocando de nome, zoa a investigação! (olha a pista! Pode ser falsa!).

Mas vamos seguir a história com Jack Stapleton, um médico legista super elétrico, determinado e autodestrutivo. Ele é um louco, totalmente desapegado da vida, novo no trabalho e brilhante também. Só pra constar, uma pessoa que anda loucamente pelas ruas de Nova York de bicicleta, tem que ser muito desapegado da vida mesmo. Ele tem seus motivos, se você ler, uma hora descobrirá.

Fato que ele, um cara que se esconde o tempo todo por trás de sarcasmo e ótimas tiradas, faz o primeiro diagnóstico chocante. Daqueles que ninguém acredita até que os exames provam que ele está certo. Desse momento em diante começa a corrida pela descoberta. E casos mais surpreendentes começam a chegar. Cria–se uma dinâmica entre Jack, sua personalidade destrutiva, suas descobertas, os problemas com seu chefe e o mistério. Como aquelas doenças extremamente atípicas estão se desenvolvendo bem no meio do maior hospital de Nova York? Todos os fatos são contrários. Robin Cook escreve de forma que nós, leigos, entendemos perfeitamente as implicações médicas e todos os exames e resultados que vão pipocando ao longo do livro.

Uma das coisas legais é que Jack é mesmo doido varrido e se mete em situações inesperadas em busca de confirmar sua teoria. Ninguém acredita nele, já deu com a cara na porta inúmeras vezes, está correndo risco de morte, mas ele continua firme na linha. E ele chega.

Robin Cook autografando Toxina
No meio ainda tem a gangue dona do bairro onde ele mora, daí entra outra gangue no meio e tem a dinâmica interessante dos jogos de basquete e como ele entra nisso. O Warren, chefe da gangue local, é uma figura. Virei fã dele no final do livro.

Na história também havia o núcleo de uma agência de publicidade que estava criando a campanha do plano de saúde concorrente daquele que é dono do hospital onde as doenças estão aparecendo. Lá conhecemos especialmente Terese Hagen e Collen. Mas fiquei pensando, com uma trama tão bem amarrada e uma longa história pra contar, qual a função disso na história? Será que ele gastou essas páginas só pra arranjar casos pro Jack e pro Chet (amigo do Jack que trabalha como legista também). Não é possível. Minha pulga atrás da orelha não foi a toa, mas você vai ter que ler pra fazer a ligação.

No meio do livro eu achei que já dava pro autor começar a introduzir as conclusões, tava cansada de tanto exame, tanto resultado e Jack pra lá e pra cá sem chegar a descobertas significativas. Literalmente catando farelo de pão. Mas aí o autor começou a me reintroduzir na história quando a ação ficou intensa. Os acontecimentos começam a se apresentar com outra dinâmica, a mente de Jack está cada vez mais rápida, os acontecimentos contra ele também e os outros personagens em histórias paralelas interferindo nos objetivos dele. Até que... tcharan! Da a virada! Caracolis, quando vi aquilo não acreditei, não era possível! Só então começou a fazer sentido, mas o Jack continua ferrado, e agora? Ele vai morrer?! Como essa pessoa fez isso? Como eu não enxerguei esse fio solto?!
Sua rotina diária incluía um zigue-zague de arrepiar os cabelos descendo a Segunda Avenida, desde a rua 59 até a rua 30, numa velocidade alucinante. Frequentemente passava raspando por caminhões ou táxis  e as discussões eram inevitáveis. Qualquer outra pessoa ficaria com os nervos abalados com aquelas viagens. Jack adorava. Como dizia aos colegas, faziam o sangue circular.

Bem, e agora nada. Você vai ter que ler pra descobrir.

O que posso dizer do final é que ainda estou com uns fios soltos e não fechei umas conexões, mas olha... a justiça veio virulenta! Aguarde e leia.

Retomando meu segundo parágrafo, ainda prefiro a Tess que pega mais pesado no suspense policial das histórias, especialmente na série Rizzoli & Isles. Mas consigo realmente enxergar a semelhança nos seus livros de histórias independentes. Corrente Sanguínea, por exemplo, é um livro dela muito no estilo do Robin. E aviso, jamais deixem o tio Cook de lado, estou arrependida! Vou partir pra ler Toxina agora.

Jabá: 
Quem se interessou, Contágio está no vira-vira da Saraiva, junto com Toxina por R$ 11,90. Super negócio, hein! Aconselho. 

Até a próxima. 

Lucy

11 comentários:

  1. Oi, Lucy
    Não posso dizer que sou super fã de thriller médico, diria que gosto mais de um supense médico, tanto que está em minhas mãos para ser lido, Post-Mortem da Patricia Cornwell, o livro da Dr. Kay Scarpetta médica-legista, que inaugura a série Scarpatta. O Robin Cook nunca me interessou muito, eu tenho uma tía que tem vários livros dele, mas pode ser que leia um dia, pois gostei muito da sua resenha. Valeu a dica!!!

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  2. Também adoro a Tess Gerritsen, e agora me animei em ler os livros do Cook que tenho aqui.
    Como sempre, ótima resenha.

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  3. Adoro esse gênero!
    Não conhecia o livro!
    Será que ele inspirou o filme?

    Beijos
    Rizia-Livroterapias
    http://livroterapias.blogspot.com.br

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  4. Adorei a resenha Lucy.. fiquei super afim de ler,me lembrou um pouco os livros da Chelsea Cain que escreveu uma trilogia que começa com Coração Ferido,eu amo esse gênero de livro,e estou me cobrando horrores por nunca ter lido nada do Cook e nem da Tess... mas vou começar com Contágio,porque tua resenha me enlouqueceu de vontade de ler o livro.

    e adorei a dica na parte do jabá!!!

    bjss

    Bianca
    http://www.apaixonadasporlivros.com.br/

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  5. Oi Lucy, maravilhosa resenha como sempre. Faz a gente viajar com você pela história e isso é muito legal. Apesar de ter achado que o livro deve ser muito bom, o estilo não faz muito a minha cabeça. Bom, pelo menos neste momento. Quem sabe no futuro? E adorei a dica do jabá... kkkk
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  6. Adorei a resenha! Gosto de dramas médicos e de suspenses médicos... Qualquer coisa que envolver medicina e hospital, seja na literatura, filme ou série de TV, eu estou dentro! A Tess eu já conhecia... Esse autor não! Adorei a resenha e vou vasculhar uns sebos atrás deste autor...

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  7. Adorei a resenha Lucy, apesar de não ser meu gênero favorito. Suas resenha faz com que eu vá tendo uma ideia do que você leu, eu me deixo levar por ela. Talvez eu leia esse livro por causa da sua resenha. bjoks
    Eykler

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  8. Adoro Robin Cook!
    Li vários deles há alguns anos... todos "roubados" da minha mamy, hahahaha

    Bjks

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  9. Eu adoro tudo que tem medicina como pano de fundo ou principal. Talvez por estar envolvida no ramo ou por ser doida mesmo.
    Pelo que li na sua resenha eu irei adorar esse livro. anotei a dica.
    bjs

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  10. Fantástico! Sou muito fã de suspense, e ultimamente venho devorando Robin Cook e Tess Gerritsen sem parar. Comecei lendo desordenadamente, até descobrir que alguns livros pertenciam a uma sequência. Aí a coisa se torna interessante, e esses dois autores escrevem brilhantemente e nos pegam com reviravoltas inusitadas. Parabéns pela resenha, condiz perfeitamente com o livro!

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