[Resenha] Salamina: Javier Negrete!

 

Sinopse - Salamina - Javier Negrete

Século V a.C. - A jovem democracia ateniense enfrenta um terrível desafio. O gigantesco império persa pretende destruir Atenas e conquistar a Grécia. Nesse momento decisivo aparecerá um homem, um gênio, um visionário: Temístocles. Ele será o fio condutor deste deslumbrante romance que, alicerçado na história, tem o alento da tragédia e a força da épica. Do ataque suicida dos atenienses em Maratona à batalha das Termópilas, passando pela fabulosa cidade de Babilônia, todos os fios da trama desembocam na jogada de mestre de Temístocles: Salamina, a maior batalha naval da Antiguidade e o lugar onde se decidiu o futuro de nossa civilização.

Comentários:

Essa resenha vai ser difícil. Por tantos motivos que fica difícil listá-los aqui! Engraçado que ao pedir esse livro para resenhar, eu não havia feito a ligação com o momento em que eu estava passando junto com os alunos do Primeiro Ano do Ensino Médio. Sou professora de História e falava com eles justamente sobre A Democracia Ateniense e hierarquia social naquele período. Minha maior dificuldade era tornar aquela divisão palatável para os meus alunos, visto que eu falava de uma sociedade do século V antes de cristo. Foi aí que recebi o e-mail da Editora Planeta sobre os lançamentos de abril. A primeira vista, "Salamina" seria um livro que eu deixaria passar. Não que o tema não seja do meu interesse, mas no blog, acabo procurando ler coisas menos intensas, já que para mim ele significa momentos de leveza e descontração. Mas a capa e a sinopse me atraíram de maneira arrebatadora, o que me deixou completamente sem saída. A sinopse consegue ser bem elucidativa, mas não dimensiona nem de longe o quanto esse livro é magistral. Foi a primeira obra de Javier Negrete que li no blog, e com certeza não será a última. Seu trabalho histórico e historiográfico beira a perfeição, a ponto de acreditarmos veementemente que Deuses e Deusas realmente aparecem em sonhos para nós, e que suas ações são determinantes para a vida e morte dos homens. Temístocles não é um eupátrida*. Para a sociedade ateniense daquele período, esse era o topo da hierarquia social de um indivíduo, e por mais dinheiro que você pudesse ter, nada mudaria o olhar das pessoas sobre você. A riqueza de Temístocles vinha das atividades comercias e marítimas do pai, Neócles, um "novo rico" para os eupátridas.  A principio, achei a motivação de Temístocles um tanto quanto vazia e infantil, mas ao longo da narrativa, veremos que apesar dessa premissa "pobre", o desejo de Temístocles acaba se tornando realidade (se eu falar, perde a graça né?). O pano de fundo (será que é pano de fundo mesmo?) desse livro é a invasão dos Persas em território grego. A democracia ateniense for testada pelo menos duas vezes, e teve que lutar por sua liberdade ferozmente nessas duas ocasiões. Na primeira, nas praias de Maratona, quando uma grande expedição naval persa tentou submeter os gregos, mas foi expulsa por tropas comandadas por Mílciades, general ateniense de grande prestígio do período. Na segunda, quando os persas invadiram a Grécia sob o comando do Rei Xerxes, filho de Dario I. Mais uma vez eles saem vitoriosos, dessa vez em Platéias e Salamina, o palco da trama de Javier Negrete. A vitória de Atenas sob o comando de Temístocles (sim, ele existiu) projetou a cidade como líder das cidades gregas, e foi responsável pela formação da Liga de Delos, que ajudou a compor uma liga federada de cidades-estado. Ao romancear a vida de um personagem real, Javier Negrete corria um risco enorme de tornar uma parte da História Ateniense de maneira piegas, porque as referências que se tem sobre o período são extremamente vagas. Mas o que ele consegue de verdade é colocar a luta de um homem frente a cidade que ele ama e quer proteger, deixando sua marca para a história do Ocidente de maneira surpreendente. Se você é fã dos grandes épicos, esse livro tende a ocupar um lugar de destaque na sua estante. Basta dar uma chance a ele.

 

Aproveito para agradecer ao Felipe Brandão que me concedeu a chance de ler esse livro incrível! Obrigada Felipe!

Elimar

10 comentários:

  1. Assim que vi a capa do livro eu já sabia que ele era bom. Logo de cara fiquei querendo é muito ler ele.
    Agora com certeza vou ter que ler. Gostei muito da resenha, a primeira que leio sobre esse livro.
    Já ta mais do que adicionado na minha lista.
    Beijos...

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  2. Fora a pequena aula de história que tivemos, sua resenha foi incrível Elimar... Sobre terminologias, eu aprendi muito na faculdade. Mas o que é a terminologia sem a ilustração dos termos???? Francamente: não seria um livro que eu chegaria numa livraria e diria ser meu sonho do momento, mas; cara sua resenha ficou perfeita. Fiquei com muita vontade de ler o livro, de verdade mesmo. Lá vai eu de novo na livraria... bjus
    Eykler

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  3. Eu não sou professora de história,mas adoro o tema e esse livro parece ser bem interessante,muito bom variar o estilo de leitura as vezes.

    Como sempre vai para a lista...

    bjsss

    Bianca

    http://www.apaixonadasporlivros.com.br/

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  4. Nossa que livro interessante. Pela sua resenha
    deve ter um pegada muito boa e deliciosa.
    Não conhecia, mas até que gostei.
    bjs

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  5. Eu já tinha visto o livro, mas confesso que nem me interessei de ler a sinopse. Puro preconceito literário isso né? kkkkkkkk
    Sua resenha está impecável como sempre, mas eu não leria este livro, pelo menos não neste momento.
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  6. Bem, bem , bem D.Eli uma dica com muito peso. No momento apesar de gostar de história mundial não leria este livro, mas ele é uma daqueles que diria RECOMENDADÍSSIMO, sem dúvida nenhuma.

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  7. Oi amiga, adorei sua resenha e fiquei com muita vontade de conhecer este livro, adoro esse tema e nunca li nada sobre, eu nem conhecia o livro e o autor, mais um para lista de desejados ^^

    beijos

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  8. Que capa, hein!
    Não é meu tipo favorito de livro, mas curti a resenha e acredito que deve ser um livro e tanto!

    Bjs

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  9. Eu li este livro, e afirmo que é muito bom! Encontrei ele na livraria, li a sinopse e não tive dúvidas em compra-lo. Apesar de tanta convicção, me surpreendi. Não esperava que fosse tão bom. É óbvio que utilizar personagens reais, como Xerxes e temístocles em narrações de primeira pessoa é sempre um tanto fantasioso. Mas existe nesse livro a oportunidade de mergulhar no universo da época, na tensão dos atenienses, na soberba persa, sentir como se dividia e se comportava, e como se transformou uma sociedade que foi o pilar para sermos o que somos hoje. A vitória Ateniense foi uma façanha. Um desses acasos que determinou o que somos hoje, pois a democracia viveu.

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  10. Li este livro e afirmo que ele é exepcional. Todo um panorama da Grécia Antiga nos é desenhado com painéis magistrais! Imperdível. Garantir a estrutura da cidade de Atenas foi fundamental para a nossa civilização! Com seus defeitos e virtudes somos o que somos inspirados em na democracia ateniense. Javier Negrete estréia com mão de mestre. E principalmente homens de gênio como Temistocles não aparecem de uma hora para outra na história da humanidade. Um único homem, ás vezes, pode sintetizar todo um processo de um civilização. Quem dera que as nossas cidades pudessem ser fonte de inspiração para os nossos ideais. Quem dera que todos amássemos a cidade ondeTemistocles amava Atenas.Roger

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