Resenha: Inferno - Dan Brown

Voltei gente, sei que fiquei sumida de novo, mas colunista liberal, sabem como é...

Inferno - Dan Brown 

Lançamento: 20/05/2013
Editora Arqueiro
442 páginas

Sinopse (essa sinopse é completamente diferente da que tem na contracapa do livro):
Busca e encontrarás! Essa é a mensagem da bela senhora de cabelos prateados. Diante dela estende-se um mar de corpos agonizantes, alguns enterrados de cabeça para baixo até a cintura – uma cena bizarra, dantesca. Langdon tenta fazer contato, perguntar quem é ela, o que deve procurar... Mas então ele acorda. Desmemoriado, ferido, a milhares de quilômetros de casa. E de posse de um objeto muito misterioso: um minitubo de metal, com lacre biométrico e o ícone de risco biológico gravado na lateral. Decidido a não abrir o tubo, que pode conter algum material muito perigoso, o renomado simbologista entra em contato com o consulado, em busca de ajuda. Mas algo inesperado acontece: o governo de seu próprio país manda alguém matá-lo. Quando já não sabe mais o que fazer, Langdon encontra a primeira pista que o ajudará a descobrir o que está acontecendo: a imagem do Mapa do Inferno, de Botticelli, uma famosa obra de arte inspirada no Inferno, de Dante Alighieri. Na companhia de Sienna Brooks, uma jovem médica superdotada, ele parte numa jornada alucinante pela Itália, até um dos lugares mais fantásticos do mundo. Dessa vez Robert Langdon precisa usar sua grande habilidade como simbologista para salvar a própria vida e conter uma ameaça que pode destruir toda a humanidade.

Resenha

Abandonai toda esperança, vós que aqui entrais!

Essa nova trama do Dan Brown, mais uma vez como foco no seu personagem mais famoso, o Robert Langdon (Tom Hanks de peruca, para quem é só de filme) é na verdade o 4° livro da série sobre o Langdon. E como já é marca do autor, é bem denso.
Eu li o prólogo bem antes do lançamento do livro e fiquei intrigada com “o sombra”.
Você já entra no livro meio perdido e o autor foi ótimo em te fazer sentir completamente sem noção de onde está. E quanto mais o Robert fica nervoso e sem saber o que está acontecendo, mais você fica desesperada!

O que está acontecendo comigo?
Continuava a ver as imagens da mulher de cabelos prateados e da máscara com um bico no lugar do nariz. Eu sou a vida. Eu sou a morte. Tentou afastar a visão, mas ela parecia estar gravada em sua mente. Na escrivaninha, as duas máscaras estampadas no programa da peça o encaravam.
Suas memórias vão estar embaralhadas, dissera–lhe Sienna. Passado, presente e imaginação, tudo misturado.

A ação começou antes do que eu esperava. Logo a assassina e o tal Consórcio já estavam pintando pelas páginas e meu coração batendo um pouco mais rápido. Jogados como somos no meio de toda a confusão do Langdon, as informações que recebemos e o que acontece, de início parece meio chocante. Mas logo o ritmo vai baixando para podermos entrar numa investigação séria.
É aí que conhecemos Sienna, a companheira de Robert na jornada desse livro. Ela não é apenas mais um rosto bonito, as companhias dele sempre tem suas qualidades, não é? O perfil dela começa a ser traçado muito rápido e logo estamos embalados pela personagem e curiosos com o que Robert vai descobrindo. Ela é forte, complexa e muito inteligente. Eu gostei e não gostei dela, fiquei alternando. No fim acabei torcendo para o Dan não escolher justamente ela pra ser uma companheira do Robert. Eu até gosto de ele encontrando uma diferente a cada aventura. Já estou até pensando se ele encontrará mais uma no próximo livro. Minha veia romântica não me obriga a desejar um amor eterno pro Langdon.
Assim que pulamos para o que seria a primeira fase do livro, inicia–se o que a princípio foi extremamente interessante. Especialmente se você é como eu, apaixonado por viagens e histórias, impressionado com os detalhes sobre como e porque as maiores obras de arte do mundo foram criadas. E nesse livro, Dan lhe dará um banho disso. Você vai mergulhar e nadar em dados e mais dados, entre eles curiosidades e pormenores que nem sempre são incluídos nas descrições padrão das obras e cidades.
O problema é que, você não só nadará como se afogará. Eu sou fã do Dan Brown, não sou uma louca viciada que fica discutindo as obras dele, mas sou uma seguidora fiel que lê tudo que ele lança. E sempre leio rápido, em no máximo três dias. Com Inferno, mesmo descontando os dias que nem peguei no livro, exatamente porque ele não me escravizou, levei uns oito dias. Nunca demorei tanto.

– O que é um monstro ctônico?
– Um monstro subterrâneo – respondeu Sienna, ainda digitando no celular. – “Ctônico” significa “debaixo da terra”.
– Em parte, é isso mesmo – interveio Langdon – Mas a palavra tem outra conotação do ponto de vista histórico... em geral associada a mitos e monstros. Os ctônicos são toda uma categoria de deuses e monstros, como, por exemplo, as Fúrias, Hécates ou a Medusa.

Conforme avançamos, descobrimos mais sobre o misterioso Consórcio, mas para alguns a amnésia de Robert será um pouco irritante, especialmente quando percebe que nada disso estaria acontecendo se ele não tivesse esquecido tudo. Como é típico de uma trama desse autor, nada é tão simples assim e nem uma amnésia é só isso.
A frase “desconfie até da sua sombra” continua valendo para esse livro. Em determinado momento da leitura eu cheguei a pensar que estávamos repetindo a entrada do grande vilão como aconteceu em O Código da Vinci. E não estou comparando, realmente não gosto de levar as coisas por esse lado de “oh, o primeiro livro isso, o livro anterior aquilo”. Mas, sempre o mas, senti falta de alguns itens que já fazem parte do estilo dele.
Eu ia fazer uma resenha maior, marquei o livro inteiro, memorizei pontos e contrapontos, mas os capítulos finais me fizeram mudar de ideia. Eu espero que com esse livro mais gente se interesse pela obra de Dante. Quando escrevi a matéria sobre Inferno, disse que fui obrigada por um professor de teoria a ler A Divina Comédia, mas foi uma ótima experiência. Sintam–se quase obrigados a conferir também!

Depois de 2 semanas andando de bus ele tá ótimo, vai! hahaha
A história realmente aperta o passo no capítulo 75. Mesmo que antes tenham rolado uns negócios muito estranhos e você esteja achando que chegar a Veneza vai ser tudo de bom, segura o tchan. A partir desse capítulo vai ficando frenético e ao menos eu senti que foi subindo numa espiral, naqueles momentos do livro que você sabe que está chegando e para. Sim, para. Não alcança o clímax. Quebra o clima e entra numa fase repleta de informações e “eu não acredito” ou “eu sabia” e ainda “eu não disse!”. E quando oferece nova oportunidade para acelerar, já não é tanto assim. A essa altura, lá pros lados do capítulo 92, você está curioso e não vai conseguir largar o livro, mas fica olhando pros lados e esperando alguém te assustar antes de se animar novamente.
Tem uma parte no livro muito interessante que me fez fazer a louca no ônibus girando o livro na frente do rosto. Você verá!

Por ironia, foi justamente o gosto de seus habitantes por luxos importados que causou a derrocada de Veneza – foram os ratos escondidos nos navios mercantes que levaram a peste mortal da China até a cidade.

Sinto informar que Inferno não me deixou sem fôlego, não quase me levou ao infarto, não cheguei a rasgar lado de página de tão rápido que virei e senti falta disso. Em alguns momentos do livro eu pensava, como esse cara (o autor) conseguiu juntar tudo isso, fazer sentido e ainda fechar a história? Porque a trama é toda bem amarrada, não faço ideia de como ele criou tudo aquilo, mixou no meio dos intermináveis pintores, obras e locais e ainda contou tudo logicamente. Não sou uma paga pau, mas ele é sinistro! O único problema é que dessa vez tio Dan se empolgou demais, afinal sua pesquisa e sua maravilhosa capacidade de descrição estavam fantásticos e ele deve ter resolvido aproveitar cada anotação.
Se o livro fosse menos turismo e mais suspense, seria perfeito. Nosso marco zero é Florença. E não vale contar a todos os lugares que vamos porque isso daria pistas da trama. Assim também não vai dar pra falar de todos os maravilhosos pontos turísticos que visitamos. Robert foi o nosso Virgílio e nos guiou por uma maravilhosa viagem, detalhista ao extremo, até o fundo do Inferno. Ao ponto de você perder o foco na história, distraída pelo nome de todos os pintores, escultores, reis, doges, palácios, corredores, famílias, obras, história. Uma verdadeira aula que podia ter sido mais interrompida pelo suspense.
Mas algo não vai decepcionar ninguém, a reviravolta. Você vai cair como um patinho. Ah, vai. Acredite, antes de entrar no 75, entre os 10 capítulos anteriores sua batata vai assar! E você vai levar meio livro até a reviravolta meter a mão na sua cara! Prepare–se pro tombo.

Foi então que se lembrou de um antigo provérbio grego atribuído a alguns dos primeiros mergulhadores a caçarem lagostas nas cavernas e coral das ilhas do Egeu. Quando se está nadando em um túnel escuro, chega um momento em que não se tem mais fôlego para voltar. A única alternativa é seguir nadando rumo ao desconhecido... e rezar por uma saída.

Confesso que saí meio decepcionada do pós–festa. O final me fez rever uma cena de um outro livro dele e bem, faltou a sobremesa que o autor vai levar mais uns cinco anos para oferecer porque agora ele criou um monstro e aqui no mundo real o tempo passa lentamente.
Mas, eu vou recomendar esse livro para todo mundo. Acima do turismo, Dante, arte, etc, há questões reais discutidas nesse livro. O autor mais uma vez leva uma discussão atual e tratada como tabu as mentes do grande público leitor.

Do que eu estou falando:
Alguém aqui já havia lido algo sobre superpopulação? Não é um tema novo, ele é bem discutido e absolutamente polêmico (a gente sabe que o Dan curte uma polêmica!). Dan Brown está lidando com um assunto que muita gente desconhece. O fato já me foi apresentado de algumas maneiras diferentes e tem sido bem explorada a questão dos recursos naturais do planeta, especialmente depois de todos esses desastres naturais que passearam pelo mundo. E é uma briga danada de dados e gente falando de país europeu com baixo índice de natalidade (o que pra mim é coisa de população de mente esclarecida) e os países pobres com altíssima taxa de natalidade (fatores intermináveis).
O autor gosta de tocar em questões religiosas e nesse caso isso é um dos pontos principais da discussão (não diretamente no livro). Um lado diz que é mito e outro diz que é real. Vocês sabiam que a briga sobre a necessidade de contracepção é real, controversa, mas extremamente necessária? Pode chamar o tio Google. Todo dia milhares de humanos nascem e a cada dia os recursos naturais do planeta diminuem porque não vivemos de forma racionalizada e sustentável.
O lado contra dirá que é invenção, coisa do povo rico e dos Illuminati. Pra mim, zombar disso é o mesmo que fingir que furacão não existe e enchente não mata ninguém. Ah, e também que o buraco da camada de ozônio não existe, adoram dizer isso. Eu vejo pessoas competindo sobre qual país têm mais gente. Independente se é população dependente ou mão de obra ativa. 
Já que aqui no mundo real nunca aconteceria o mesmo que no livro, eu acredito que contracepção é não apenas nossa chance de uma melhor qualidade de vida assim como um dever. Com ou sem superpopulação. Então, ainda discutindo o livro, pensei nesses tópicos relacionados a parte do que é discutido, trazendo pra nossa realidade:

O que você acha sobre a teoria do planeta ter seus meios de nos controlar como sempre fez (doenças, desastres naturais, etc)?

Você acredita que nós estamos matando o nosso planeta?

Sua vontade de ver um ser similar a você e com seu DNA é maior do que sua conscientização sobre o mundo onde vai deixá–lo?

E você acredita que é certo seguir cegamente os desmandos de uma religião que quer mandar no seu corpo e dizer se você deve ou não ter filhos?

Você acha que o governo tem direito de criar leis que tirem o seu direito à vida e a escolha em favor de um embrião?

Eu acredito veementemente em controle de natalidade e que nós precisamos disso urgentemente e que só eu posso decidir ter filhos ou não. E acho que já é um avanço essa discussão deixar de ser um tabu e as pessoas pararem de se esconder atrás de mitos e religiões para pensar como os humanos racionais que supostamente somos.
Apenas reflita sobre, porque quando mergulhar no Inferno de Dan Brown, vai pensar sobre isso e muito mais. Agora vamos embora que já escrevi demais e todo mundo nessa história já saiu para ver as estrelas e agora é minha vez! (juro que você entenderá essa tirada quando chegar ao final do livro)

Até a próxima!

Lucy (ou pode me chamar de LV-2088. Coisas do livro! Leia!)

9 comentários:

  1. Interessante, fiquei com vontade de ler.

    Bjus

    José Agenor
    http://blogagenor.blogspot.com.br/

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  2. Oi Lucy, resenha deliciosa como sempre!
    Eu ainda não li nada deste autor, apesar de ter muita vontade de conferir o seu trabalho. Pela sua resenha o livro me parece ser denso, forte e pra nos deixar pensando sobre tudo isso...
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  3. Oi Lucy, gosto muito deste autor e com certeza vou querer ler este livro.
    Bjs, Rose.

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  4. Meu Deus, que livro é esse?
    Quando vc não conhece nem o livro e o autor,
    vc tem muitas duvidas de comprar ou não.
    A parti que li sua resenha, minhas duvidas sumiram,
    estou perdendo um livro muito bom. Amei
    bjs

    http://loveebookss.blogspot.com.br/

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  5. Oi, Lucy
    Bem o último livro do Dan Brown com o Robert Langndon eu não li. Já ouvi dizer que este vai para o cinema antes do outro, não sei se lerei com sinceridade. Valeu a resenha!!!

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  6. Eu comprei, mas ainda não li (a fila tá grande e o tempo, curto). Adoro Dan Brown! Eu li o símbolo perdido há pouco tempo. Demorei pra terminar. Espero que esse seja melhor. A sua resenha vai me obrigar a furar a fila?
    Beijos

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  7. Ah que bom que ficaram interessados! Eu não sei porque a produção de Símbolo Perdido está demorando tanto. Eles estavam condicionando a chance de Inferno só ir para os cinemas dependendo de quanto vendesse. Mas a trama dele é muito mais vendável pra transformar em filme. Ela é absolutamente global com questões que criarão polemica no mundo inteiro. Muito mais do que O livro anterior. Mesmo assim, Simbolo Perdido já estava em produção. Será que vão cancelar? Não sei se merece fular fila, mas merece ser lido assim que sobrar um espaço na agenda!

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  8. Parabéns pela sua brilhante resenha. Assim como no livro, esperei que você fosse mais fundo de como ficou o combate ao vírus criado para a infertilidade da nossa sociedade.

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  9. Oi adorei sua resenha...já tive a oportunidade de ler este livro e amei...mas vc já leu o livro reverso escrito pelo autor Darlei... se trata de um livro arrebatador...ele coloca em cheque os maiores dogmas religiosos de todos os tempos.....e ainda inverte de forma brutal as teorias cientificas usando dilemas fantásticos; Além de revelar verdades sobre Jesus jamais mencionados na história.....acesse o link da livraria cultura e digite reverso...a capa do livro é linda ela traz o universo de fundo..abraços. www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem..busca.livrariasaraiva.com.br/saraiva/Reverso
    www.buqui.com.br/ebook/reverso-604408.html

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