[Resenha] Passarinha: Kathryn Erskine!

Sinopse - Passarinha - Kathryn Erskine

No mundo de Caitlin tudo é preto ou branco. As coisas são boas ou más. Qualquer coisa no meio do caminho é confuso. Essa é a máxima que o irmão mais velho de Caitlin sempre repetiu. Mas agora Devon está morto e o pai não está ajudando em nada. Caitlin quer acabar com isso, mas como uma menina de onze anos de idade, com síndrome de Asperger ela não sabe como. Quando ela lê a definição de encerramento ela percebe que é o que ela precisa. Em sua busca por ele, Caitlin descobre que nem tudo é preto ou branco, o mundo está cheio de cores, confuso e bonito.

Comentários:

Essa resenha eu ia deixar passar. Fiquei dias pensando sobre o que escrever sobre esse livro e quase desisti. O nó na garganta que eu fiquei por conhecer um pouco mais sobre Caitlin e sua vida me vem nesse exato momento, enquanto escrevo meus comentários. Só para constar, trata-se de uma obra de ficção, mas com um sentimento tão real e pungente, que é impossível não sentir tudo que Caitlin sente. Devon, seu irmão mais velho, era o elo que Caitlin tinha com o mundo. Era ele que ensinava a ela "todos os tons, entre o preto e o branco", mas o destino fui cruel com nossa "Passarinha": Devon foi morto em uma chacina em sua escola, e seu pai não sabe como lidar com essa nova realidade. Tendo perdido a mãe ainda mais nova, Caitlin pouco se lembra dela. Em um mundo novo (sem Devon), ela precisa encontrar um meio termo, onde tudo lhe parece confuso e sem sentido, onde as pessoas ao seu redor dizem que tudo ficará bem, "logo logo". Mas não é o que ela acha:


"Não gosto dessas palavras gêmeas logo logo porque a gente não sabe quando elas vão chegar de fininho e pegar a gente de surpresa e virar AGORA. Ou vai ver que é daquele tipo de logo logo que nunca chega a acontecer. Como aquele dia em que perguntei para papai e Devon quando o armário ia ficar pronto. E eles disseram logo logo". (p. 52)

A morte de Devon deixa tudo em suspenso. Juntamente com ele morreram mais um aluno e uma professora da escola secundária. A comunidade parece viver também com um nó na garganta, tentando encontrar um sentido para seguir em frente. Ao ouvir de sua orientadora que era preciso encontrar um "desfecho" para si, Caitlin parte em busca de uma jornada de auto conhecimento, mesmo que não perceba isso logo de cara. A amizade que faz com Michael, um menino de seis anos, cuja mãe foi assassinada na chacina, é um dos pontos altos do livro:

"Oi Caitlin.
Você sabe como chegar à vivência da conclusão emocional de uma situação de vida difícil?
O quê?
Desfecho. Você sabe onde arranjar um?
Não. Mas vou perguntar ao meu pai. Ele é ótimo para encontrar coisas.
É mesmo? O que não é. Seu pai é superinteligente ou algo assim?
Ele dá de ombros. Não sei. Ele parece superfeliz.
Que sorte a sua. O meu pai vive triste.
Michael abana a cabeça. Eu não me sinto com sorte. Eu me sinto mal por não estar alegre o tempo todo como ele". (p. 75)


A senhora Brook é outra personagem incrível. Ao lidar com a situação vivida por Caitlin, ela constrói uma ponte onde nossa "Passarinha" tem que passar, para fazer amigos e se mostrar ao mundo, como alguém capaz e determinada, pronta para enfrentar desafios:ao descobrir o significado da palavra 'FINESSE', que segundo a senhora Brook significa "Fazer uma coisa com tato e habilidade ao lidar com uma situação difícil". Caitlin sintetiza as mesmas dificuldades que todos nós temos, mas de maneira muito mais inteligente e perspicaz:

"Fico surpresa por só estar aprendendo essa palavra agora. Ela é a minha cara! É o que tento fazer todos os dias para Lidar com essa situação difícil chamada vida". (p. 90)

O livro é uma emoção a cada página. Quando Caitlin finalmente faz amigos e se sente aceita, me fez chorar tanto, que tive que parar de ler para me recompor:

"Estou me sentindo feito Branca de Neve porque agora tenho um monte de amigos anõezinhos que me adoram. Posso não saber como é usar o macacão da Scout mas acho que sei como é usar o vestido da Branca de Neve porque agora sei por que a Branca de Neve era feliz". (p. 96)

Outro trecho que me fez chorar de soluçar foi esse:

"(...) Você é como uma irmã mais velha para mim. 
Sinto um calorzinho tão gostoso no Coração quando ele diz isso". (p.194)

Apesar de ser um livro bem fininho (só tem 224 páginas), demorei três dias para terminá-lo. Por conhecer algumas crianças com autismo e ter contato com uma menina que tem Asperguer (a mesma Síndrome de Caitlin) foi muito importante para mim. Saber que alguém como Kathryn Erskine (autora do livro) teve tanta sensibilidade para escrever sobre um tema que deveria ser melhor discutido nas escolas e em sociedade. Crianças com autismos costumam ter pouca dificuldade com aprendizado, e precisam de ajuda para sociabilizar com outras crianças. Crianças com autismo costumam se tornar excelentes profissionais no futuro, mas acabam tendo dificuldade para demonstrar sentimentos. Enfim... Autistas não são tão diferentes de nós. O que os torna diferentes é o nosso preconceito.

Elimar

4 comentários:

  1. Oi Elimar!!!! Bem.... Passarinha não estava nem de longe em minhas metas de leituras, nem nos livros desejados. Vi amigas no face querendo e desejando muito esse livro, só que até então eu não tinha lido nenhuma resenha sobre o livro, e tão pouco alguém passando tanta emoção ao ler o livro. Sua resenha me deixou com vontade de ler, sei que também vou sofrer com a leitura, por motivos cotidianos, mas tudo indica que será uma leitura que tende a me ajudar e mudar algo dentro de mim. Eykler

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  2. Nossa amiga, que resenha linda!
    E só de ler a sua resenha já me senti emocionada. Pois, tenho duas conhecidas que tem filho com autismo e eu sei o sofrimento, a dificuldade e todo o preconceito que elas enfrentam em suas vidas por conta disso.
    Estes livros são muito importantes, para que possamos aprender e abrir nossas mentes para o que é diferente e aprender principalmente que ser diferente não é ser pior ou melhor.
    Lia Christo
    www.docesletras.com.br

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  3. Oi Eli, eu já vim aqui umas duas vezes para comentar nessa resenha, mas por algum motivo nunca comentei. rs
    Eu simplesmente AMEI sua resenha, eu não conhecia o livro, mas senti a intensidade dele ao ler suas palavras, já vai pra minha lista de desejados com certeza : )
    Mas vou esperar um pouco, por que tenho "momentos" para ter esse tipo de leitura que mexe tanto com a gente assim. Ele me lembrou um pouco Os 13 Porquês, por causa do tema delicado.
    Vou correndo pro skoob, colocá-lo como desejado : )
    Beijão

    Camila Leite
    @sonhospontinhos
    http://sonhosentrepontinhos.com

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  4. Oi, Eli.
    Muito boa a tua resenha mesmo. Estou lendo o livro, que esbarrei por acaso em uma livraria de Porto Alegre. Na hora achei que valia a pena compra-lo e não me arrependi. Sou Orientadora Educacional e este livro está me ajudando bastante no atendimento de um aluno com as mesmas características. Um abraço

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