[Resenha] Lua Vermelha: Benjamin Percy


Sinopse - Lua Vermelha - Benjamin Percy

Eles vivem entre nós. São os seus vizinhos, a sua mãe, o seu namorado. Eles mudam do dia para a noite. Como toda adolescente, Claire Forrester se acha meio deslocada. Quando agentes do governo invadem sua casa e matam seus pais, ela percebe o quanto é diferente. Claire pode se transformar em uma criatura semelhante a um lobo. Ela é uma licana. Patrick Gamble entra em um avião e, horas depois, desembarca como o único sobrevivente de um ataque terrorista promovido pelos licanos. Da noite para o dia, ele vira um herói nacional: o Menino-Milagre. O governador Chase Williams jura que, se for eleito presidente, protegerá o país da ameaça que aterroriza a população. Em meio ao acirramento dos conflitos entre humanos e licanos, seu discurso intensifica a discriminação. No entanto, ele vai se tornar exatamente aquilo que prometeu destruir. Cada um a seu modo, os três estão envolvidos em uma guerra que tem sido controlada com leis, violência e drogas. Mas uma rebelião está prestes a estourar, provocando mortes e destruição e entrelaçando seus destinos para sempre. Com a chegada da noite da lua vermelha, o mundo se tornará irreconhecível. A batalha pela sobrevivência da humanidade irá começar. 

Comentários:

Surpreendente! Parece clichê (e de fato é), mas foi a primeira palavra que me veio a mente quando li "Lua Vermelha". Achei realmente (apesar da sinopse deixar várias dicas) que se tratava apenas de mais um livro de lobisomens, onde um casalzinho se apaixonaria, e teria que enfrentar um grande vilão. Ainda bem que eu estava redondamente enganada. Todos os personagens nos são apresentados de tal maneira que não conseguimos imaginar que todos irão se tocar em algum momento. E Benjamim Percy não só torna isso possível como o faz de maneira brilhante. Claire e Patrick são dois personagens adolescentes que superam todas as expectativas, se comparados a outros personagens teens já conhecidos por nós. Mesmo apresentando sentimentos típicos de adolescentes (irritabilidade, desconsideração, silêncios longos e constrangedores, dentre outros), os dois precisam superar questões maiores do que eles, como preconceito em relação aos licanos (lobos) e a postura dos outros seres humanos. O livro é uma grande metáfora em relação as minorias da sociedade atual. A maneira xiita como se trata o diferente diz muito mais daquele que descrimina do que o outro. A maneira como Percy mostra que a monstruosidade do homem pode ser mais perigosa e violenta do que a de um licano é magistral, e nos deixa com a mente totalmente focada nas páginas. A força de suas personagens femininas é um elemento a parte de todo o seu livro. Cada uma delas, a sua maneira, demonstra os sacrifícios que elas passam (e passaram) para fazer o que é certo. Romper com um movimento revolucionário, deixar um filho para trás, ou simplesmente sobreviver. Os homens são os que comentem os maiores absurdos na trama, mas são as mulheres que acabam sendo as grandes heroínas, tendo que superar vários traumas e abusos para conseguir sobreviver, e fazer o que é certo... O livro é dividido em partes, e cada uma delas tenta nos mostrar como os personagens estão lidando com a nova realidade do mundo, que é a de exterminar o vírus que vai destruir os príons, a proteína responsável pela mutação que leva o lobo a surgir. Claire e Patrick deixam de ser adolescentes e passam a ser adultos em um mundo difícil de ser vivido. 
Confesso que levei quatro dias para terminar o livro, não por não ter gostado, mas por ele me mostrar que era necessário mas foco e reflexão do que outro livro. Para alguns será mais um ótimo livro sobre lobisomens. Para mim, uma história incrível, que mostra que a verdadeira monstruosidade ainda vêm dos homens.

Elimar Souza

2 comentários:

  1. Adorei e confesso que tenho sentido a mesma estranheza ao longo da leitura.
    Não dá pra fazer leitura dinâmica com este. Não é exatamente um "romance", apesar de conter alguns elementos.
    De certa forma é assustador qdo olhamos através dos olhos de outrem como o ser humano ainda é intolerante e nocivo.
    Adorei a resenha.

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  2. Estive com ele em mãos na livraria hoje, achei interessante a sinopse, mas estava esperando a resenha de alguém conhecido. Então vou me atirar... Obrigada pela resenha!

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