[Resenha] A Ceia Secreta: Javier Sierra



Sinopse - A Ceia Secreta - Javier Sierra

 

Janeiro de 1497. Durante semanas, uma série de cartas anônimas enviadas à corte do papa Alexandre VI adverte que em Milão o controvertido Leonardo da Vinci está executando uma obra diabólica - um mural da Última Ceia, no qual não só pintou os apóstolos sem seu preceptivo halo de santidade, como também o próprio artista se retratou entre eles, dando as costas a Jesus Cristo. Frei Agustín Leyre, inquisidor dominicano especialista na interpretação de mensagens cifradas, é enviado à corte dos Sforza para supervisionar essa pintura e tentar decifrar o segredo que protege a identidade do remetente das cartas. Será que a revelação deste mistério conseguirá mudar nossa forma de ver a pintura do gênio do Renascimento?
Comentários:

Vou confessar um dos meus maiores pecados como leitora: uma bela capa me conquista antes da sinopse! Pois é... Quando eu vi a capa de "A Ceia Secreta", já sabia que eu tinha sido fisgada. A Última Ceia é uma das imagens mais emblemáticas da História, não só por ter sido pintada por Leonardo da Vinci, mas por ser usada em inúmeras obras de ficção como a mantenedora de segredos que poderiam abalar o cristianismo. Vários escritores contemporâneos fazem uso desse recurso para instigar os leitores, e Javier Sierra não é diferente. Mas a maneira como ele usa esse instrumento, que para um leitor mais experiente pode significar algo batido, vai fazer você simplesmente enlouquecer. 
Vários são os mistérios da obra de Javier Sierra; todos bem posicionados em torno da Última Ceia. O personagem Agustín Leyre, o responsável por investigar se as informações ditas na cartas são verdadeiras, faz as vezes de Robert Landon aqui, já que fica quase impossível não faz uma alusão a obra de Dan Brown, O Código da Vinci. Mas talvez, o grande mérito de Javier Sierra - além da pesquisa impecável e muito bem empregada - , foi de ter concebido a sua obra em 1497, que a eleva em outro patamar dentro da ficção. Ambientar um romance no século XV não requer somente pesquisa, mas um cuidado quase cirúrgico, porque qualquer erro, por menor que seja, soa péssimo, principalmente para as professoras de História malas que cercam a blogsfera. Posso dizer que esse povo é bem desagradável, e vê defeito histórico em tudo. Mas deixa pra lá... ;)
Aqui, o grande receio dos padres, é que um dos segredos  supostamente revelados por Da Vinci, possa abalar o poder da Igreja Católica, e é por isso que Agustín é enviado a corte dos Sforza: ele precisa saber porque a pessoa que enviou a carta não pode se revelar. Em determinado momento da trama, percebe-se a intenção do escritor de nos fazer rever e até mesmo buscar algumas informações históricas, para que a ambientação possa se descortinar aos nossos olhos com mais facilidade. Nada chato ou cansativo de se fazer, ao contrário: o que notei é que como leitora, a escrita de Sierra só me deixou mais curiosa, com vontade de aprender mais sobre o período histórico retratado na trama (ou ponto favorável para o livro).
Sempre quando um livro se mostra desafiador, como é o caso de "A Ceia Secreta", penso logo em como adolescentes que não curtem ler, perdem um "filme" incrível, que vai lhe trazer não só horas de lazer, mas um enriquecimento vocabular e semântico, ao ler uma obra tão bem adaptada para a nossa língua. Para o caso da disciplina que ensino, que por acaso é história, o estudo da passagem da Idade Média para Moderna ficaria muito mais palatável, já que vários elementos usados por Sierra serviriam como uma luva para as atividades que proponho ao longo do ano letivo. Como professora, historiadora e leitora, o livro de Sierra preencheu todos os grandes requisitos de um grande livro. Só espero que outras pessoas o descubram também!


Elimar Souza

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Faço parte das...

Google+ Followers

Networkedblogs

Views

HOTWords