[Resenha] Uma Loja em Paris: Màxim Huerta



Sinopse:

Num dia qualquer, quando andava sem rumo pelas ruas de Madri, Teresa, uma órfã rica que vive sob o rígido controle de sua tia Brígida, se vê impelida a entrar em um antiquário, atraída por uma tabuleta de uma antiga loja parisiense de tecidos. De volta ao seu apartamento, após fixar a tabuleta em seu escritório — que compra sem saber muito o porquê —, a jovem é atormentada por uma série de sensações, percepções e visões que, ao que tudo indica, fazem referência à dona da tal loja, Alice Humbert, que viveu na Paris dos anos 1920. Quem terá sido essa mulher e por que a sua história agora lhe bate à porta de uma maneira tão intensa, Teresa se pergunta. Sem perder tempo, ela parte em busca das respostas na mágica, romântica e colorida capital francesa, para onde se muda. Inspirado pelos “anos loucos” vividos na Paris de Hemingway, Modigliani, Coco Chanel e Paul Poiret, o jornalista espanhol Màxim Huerta apresenta uma história de amor que resistiu ao tempo e transpassou décadas até atingir em cheio o coração de Teresa.

Comentários:

Não sei de onde vem essa minha fascinação pela literatura espanhola contemporânea. E me pergunto porque os leitores brasileiros ainda não "descobriram" de verdade o talento desses escritores, que acabam ficando escondidos, até serem trazidos a tona por alguma editora que se apieda de nós. Devo dizer que histórias assim sempre mexem comigo de maneira "estranha", na falta de uma palavra melhor nesse momento. Livro sobre mulheres solitárias acabam por me fazer pensar em minha própria vida e em meu futuro, já que sou uma grande enamorada da solidão (sem qualquer problema com isso, devo dizer). As duas personagens mais importantes desse livro, Teresa e Alice, são mulheres solitárias ao meu ver. Uma, inocente e com uma beleza fora do comum, acaba ganhando uma grande visibilidade, e graças a isso, acaba por viver alguns erros e enganos, que nos fazem refletir sobre nossas próprias falhas. Já Teresa é uma mulher tímida, que vive sobre o julgo e a moral de sua tia, uma mulher que age com dureza e até mesmo crueldade com sua única sobrinha, e que é muito mais digna de pena do que de raiva, ao meu ver. Todas as mulheres dessa história me fizeram perceber que a linha que nos guia para nos tornarmos aquilo que somos é tortuosa e desconhecida. Porque eu me tornei professora? Porque a literatura acabou se tornando uma das minhas melhores amigas? Porque eu gosto da solidão? Esses vários "porquês" hoje servem apenas para uma reflexão maior sobre essa história que foi tão tocante para mim. A tabuleta encontrada por Teresa pode servir de metáfora para vários momentos da nossa vida. Uma amizade que você não esperava fazer; aquela pós-graduação que você planejou tanto e agora está concluindo; aquela grande mudança que você protelou tanto e agora teve enfim a coragem de fazer acontecer... A nossa "tabuleta" é o primeiro passo para algo importante para nós, que vai fazer nos libertar de uma amarra construída (pasmem) por nós mesmos. A narrativa segue um ritmo que eu considero diferente dos livros de ficção que estou acostumada a ler. Tive que sair da minha zona de conforto e deixar a trama me envolver lentamente. Posso dizer que esse livro não foi lido. Foi degustado. Só assim para entender a beleza e as lições ensinadas por Màxim Huerta. Recomendo com certeza!


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Beijos!

Elimar Souza

Um comentário:

  1. Tinha visto esse livro, mas não sabia se era bom ou não...!
    Gostei de forma emocionante como você falou sobre ele, fiquei com vontade de conhecer mais dos livros de escritores espanhóis.
    Dica anotada
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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